quinta-feira, 17 de junho de 2010

E quando a gente aceita qualquer companhia pra não ficarmos sós?


É uma grande loucura (como muita coisa na nossa vida). A gente vai conhecendo e desses momentos surge aquele em q vc pára e analisa se a tal pessoa serve ou não pra vc.
Ela sempre foi certinha. Tem religião, mora com a mãe, mas a mãe sempre a educou de maneira honesta e direita. Em sua vida tivera poucos homens. O seu instinto de autodefesa sempre a alarmava de que aquele tal cara não era ainda “o cara”, e assim foi levando, até chegar numa idade – tinha seus exatos 27 anos – E se encontrar sem ninguém. E isso a incomodava bastante, ao ponto ela sempre chegar a formar opiniões que a justificassem de uma forma positiva, sempre a beneficiando.
Até que chega o, para muitos, famigerado dia 12 de junho ou para a maioria dos Brasileiros e para a alegria do comercio e rede “moteleira” dia dos namorados! E ela estava simplesmente sem rumo e solitária e ela, que nunca levou essa data a sério, se viu num desespero amargo e quase sufocante.
Ela então resolve procurar em seus contatos (chamados por ela muitas vezes de ‘marmita’) do MSN. E nada. É então que num ato de desespero, resolve ir a um lugar que ela nunca pensou em ir: Bate papo. E foi lá que ela conheceu ele, um jovem de 25 anos aparentemente em busca de uma boa conversa. Ela resolveu dar crédito a ele, depois de ter tido 4 experiências consideradas por ela aterrorizantes. Dos 4, 4 pediram para ela mostrar os seios ou sensualizar, via webcam. Ou ainda, colocaram na timeline do MSN seus feitos financeiros (“como se mulher só pensasse em dinheiro e conforto”, pensava). Ele era estudado, viajado e tinha feito tantas coisas que ela do alto dos seus 27 anos n tinha experimentado. E foi aí que ele a chamou pra ir ao apartamento dele. E ela, num impulso mais que atípico, disse sim!
Sim! Ela se sentia tão livre e rebelde com aquele “sim”, que seguiu em direção a casa dele, certa de que iria fazer aquilo tudo que ela n tinha a intenção de fazer.
Ela chegou ao ponto em que eles marcaram, ele gentilmente foi buscá-la no local. “Ele é baixinho! Mas é interessante” pensou enquanto andava ao lado dele rumo ao apartamento.
Ao chegar num modesto apartamento no centro da cidade, ela se deparou com um lugar 100% de uma pessoa solteira: cozinha em petição de miséria, resto de comidas pela sala e tudo o mais. “O quarto deve ser uma bagunça”, pensou. Conversaram muito e até jogaram uno com um baralho que se perdia nas mãos dela de tão pequeno. E falaram sobre ex-namorados, futuro, vida acadêmica, outras experiências de vida, costumes... Ela achava que somente ficaria ali naquele papo por horas; até vodka com cajuína 100% cearense apareceu na conversa. Até que de repente o que ela mais temia foi surgindo como mágica por entre a voz dele. Ele falava de cigarros, bebidas e de como a vida dele tinha mudado pra pior (considerava ele) depois que veio morar na cidade. Ela por um momento achou aquilo agradável, mas depois do furor do primeiro beijo, ela começava a pensar se era realmente isso que ela queria para vida dela; ela não fumava, não bebia, não vivia em farras e nunca havia beijado boca de alguém que estivesse “fedendo a cerveja”, como ela sempre repetia pras amigas que ela considerava “idiotas demais, por não querer esperar o homem certo, e acabavam pegando o primeiro que aparecesse pelo simples fato de estar só”. Agora, ela estava totalmente envolvida por um homem que tinha aquelas mesmas características. E enquanto estavam a sós no quarto dele, ela pensava no que Caio Fernando Abreu dizia: “E já não mais era capaz de defini-lo: ele se transformara no que ela sentia.”.

Nenhum comentário:

Postar um comentário